A questão das Orcas e o cativeiro emocional

As orcas, que não são baleias e sim os maiores membros da família dos golfinhos, tornaram-se conhecidas entre os anos 70 e 90 como “baleias assassinas” povoando o imaginário popular acerca de sua suposta agressividade. Este termo errôneo originou-se de uma falha na tradução da denominação que recebiam em espanhol e que significava ‘assassinas de baleias’ devido ao fato de caçarem algumas espécies de baleias quando estão em grandes grupos. Assim, tornaram-se ‘killers whales’ no inglês ou ‘baleias assassinas’ na tradução para o português.

orcas

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Habitam praticamente todos os oceanos e ficam em segundo lugar como os mamíferos com a maior área de distribuição no planeta, atrás apenas dos humanos. Chegam a medir entre 8 e 10 metros quando adultas, pesando até 900kg e vivendo de 30 a 50 anos. Vivem em grupos familiares matriarcais com muitos indivíduos que são extremamente conectados entre si e mantêm uma comunicação vocal complexa através de estalidos e assobios que compõem dialetos particulares variando de acordo com a região onde vivem. Diariamente ingerem até 200kg de alimento, sendo a sua dieta composta de uma ampla variedade de peixes, moluscos, aves, cetáceos e outros mamíferos marinhos, como focas e leões-marinhos.

orcasAssim como os golfinhos, as orcas são sociáveis e inteligentes respondendo muito bem às técnicas de condicionamento animal às quais são submetidas em cativeiro. Passaram, então, a fazer parte do elenco de shows compostos por diversos mamíferos aquáticos mantidos em parques em todo o mundo como o SeaWorld, empresa norte-americana fundada em 1959 e que faturou quase 1,5 bilhão de dólares, apenas em 2012, recebendo cerca de 24 milhões de visitantes.

 

Não há registros de que orcas tenham atacado seres humanos em vida livre, mas, em cativeiro a história é outra. Apesar de serem animais extremamente obedientes, existem diversos casos de ataques fatais. É o que expõe o documentário Blackfish – Fúria Animal, lançado no ano passado e que vem causando grande repercussão e discussão sobre a manutenção desses mamíferos marinhos em cativeiro para fins de entretenimento.

O documentário expõe a história da orca Tilikum, um macho de 2 toneladas que é uma das estrelas do SeaWorld da Flórida. Capturado na Islândia no fim da década de 80, ele se apresenta desde 1992 e está ligado à morte de três pessoas durante sua vida em cativeiro. Foi a morte da treinadora Dawn Bracheau, considerada a treinadora mais próxima do animal, em 2010 durante uma das apresentações diárias, o que motivou a diretora Gabriela Cowperthwaite a buscar mais informações e produzir o documentário que fala sobre as reais condições das orcas em cativeiro e o que as leva a cometer episódios de violência contra os humanos que são seus cuidadores.

orcas

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O impacto resultante desde o lançamento de Blackfish foi avassalador. A sociedade passou a questionar os princípios éticos que envolvem a manutenção destes animais em cativeiro, principalmente as orcas, simplesmente para divertir um público que não sabe nada sobre os bastidores desse show mantido pelos lucros exorbitantes que gera.

Segundo a diretora, a ideia do documentário não era fazer algo controverso ao SeaWorld, mas eles se negaram a participar oficialmente. Após toda a repercussão mundial e a possibilidade de terem seu negócio milionário abalado, a postura da empresa modificou-se. Enviaram uma série de argumentos rebatendo as críticas que o documentário faz, e que foram devidamente justificadas pela diretora, além de anunciarem mudanças na conduta com seus animais e virem tentando demonstrar, desde então, a importância do SeaWorld na pesquisa e manutenção de animais marinhos ao longo dos tempos e, assim, dissuadir suas atividades da imagem chocante que Blackfish expôs e fixou sobre a origem, o histórico e a manutenção de suas orcas.

blackfish

Após este último ataque fatal em 2010, a justiça americana proibiu que os treinadores permaneçam na água com as orcas durante os shows, mas a diretora do documentário acredita que as coisas só vão mudar realmente quando o público deixar de frequentar o parque. Neste ano o SeaWorld comemora 50 anos com sua imagem fortemente abalada após o lançamento de Blackfish e indicativos de que o público nos shows das orcas diminuirá. Será o início de uma nova era no que diz respeito à relação do homem com os animais em shows de entretenimento nos parques aquáticos? É o que veremos.

Curiosidade

O impacto de Blackfish nos Estados Unidos foi tão intenso que os Estúdios Pixar, prevendo que o entretenimento com as orcas ganhará uma imagem negativa daqui em diante, resolveram alterar o desfecho de Procurando Dory, filme que é a continuação de Procurando Nemo com lançamento previsto para 2015, por causa do documentário.

Assista ao trailer do documentário Blackfish – Fúria Animal:

 

 

E veja neste vídeo a orca Tilikum – a maior, com a nadadeira dorsal pendendo para o lado – em seu retorno aos shows em 2011:

 

 

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